Poder da empatia

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“A empatia é o caminho que vai nos levar a uma sociedade mais justa, equilibrada e feliz” – Roman Krznaric

Olhar o mundo com os olhos do outro. E sob a perspectiva dele, compreender suas crenças, seus valores, suas experiências, seus medos.

Essa capacidade, chamada de empatia, é inata ao ser humano e tão antiga quanto a própria linhagem mamífera, afirma Frans de Waal, autor do livro “A Era da Empatia”.

Roman Krznaric, autor do livro “Sobre a Arte de Viver”, distingue a empatia da regra de ouro “faça aos outros o que gostaria que eles fizessem para você”. Ainda que esta seja uma regra valiosa, ela “envolve considerar como você – com suas próprias ideias – desejaria ser tratado”, enquanto a empatia “requer que imaginemos as ideias dos outros e que ajamos em conformidade com elas.

Somente com essa perspectiva é que se pode incluir o outro, e agir visando benefícios para todos. Não se trata de sentir pena de alguém, tampouco se confunde com simpatiaEnquanto a empatia leva à conexão, a simpatia leva à desconexão.

Não é fácil adotar-se essa postura, mas Roman Krznaric dá algumas dicas de hábitos que podemos cultivar para expandir nosso potencial.

Apesar de vivermos numa época em que muitos ainda menosprezam as emoções, consideradas complicadas e piegas, a empatia – que está no coração da inteligência emocional — já é reconhecida como uma das “competências-chave para a vida do século 21“. 

Mônica de Roure esclarece que “como habilidade social, a empatia – o ato de enxergar não apenas o outro, mas um mundo que está em constante transformação — permite que possamos desenvolver nossas habilidades criativas e inovadoras porque ela alarga os horizontes de visão sobre a sociedade”.

É por essa razão que Bernardo Toro acredita que “os líderes do futuro serão os empáticos, que sabem pedir e oferecer ajuda. Esses são os mais inteligentes. Os que criam redes emocionais em todos os setores”. Seguindo essa tendência, organizações como START EMPATHY e ROOTS OF EMPATHY já preparam crianças e adultos para viver essa realidade.

Empresas atentas à inovação consciente utilizam o mapa da empatia para compreender as reais necessidades de seus clientes, e assim direcionar seus investimentos para soluções que efetivamente supram essas necessidades e que beneficiem todas as partes impactadas pelo negócio.

Peter Singer enfatiza que a maneira mais eficiente para avaliarmos nossa ética nas decisões diárias é nos colocarmos no lugar de todos “aqueles estão distantes de nós seja uma distância geográfica, pois estão em países longínquos, ou distantes culturalmente, ou economicamente, ou distantes porque virão a existir apenas daqui a um ou dois séculos, ou porque são de uma espécie distinta”.

Afinal, não somos apenas meros indivíduos vivendo isoladamente no mundo. Somos parte de um coletivo social que chamamos de Humanidade. Por fazermos parte desse coletivo, a percepção de nossa própria identidade é baseada na nossa relação com outras pessoas e com o meio social. A empatia nos permite compreender o “outro” para melhor compreendermos a nós mesmos.

A separação que se imagina existir entre nós acontece porque há falta de reconhecimento das crenças, valores e experiências das outras pessoas. E com o julgamento coloca-se uma muralha entre as pessoas.

Por meio da empatia, é possível compreender, aceitar, legitimar e incluir a Verdade do outro, e assim criar-se vínculos humanos que tornam a vida mais plena de significado.

Foi por meio dessa conexão empática que nasceu a incrível amizade entre Phyllis Rodriguez – mãe de um rapaz morto nos ataques ao World Trade Center – e Aicha el-Wafi – mãe de Zacarias Moussaoui, condenado por seu papel nesses ataques e que cumpre pena de prisão perpétua.