Construção de confiança

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“Confiança é a base para processos ligados a atividades que têm nos recursos intangíveis sua matéria-prima.” – Lala Deheinzelin

Por que será que dentre as mais de 3 trilhões de buscas no Google, chegou-se a procurar por mais esperança do que medo?

Uma das inúmeras respostas vem do livro Desejável Mundo Novo escrito pela futurista Lala DeheinzelinCom uma visão estimulante de cenários que vão muito além daqueles previsíveis e conhecidos, ela enfatiza que “o futuro é em rede, colaborativo, intuitivo, cada vez mais guiado pelo bom senso do coletivo.” E o que faz isso acontecer é a confiança:

Riqueza são as relações sociais. Isso é um patrimônio, algumas culturas como os japoneses têm a coisa da colaboração mútua como um patrimônio muito valioso. Fica clara essa riqueza quando você vê imigrantes sem nada, só com o intangível recomeçarem a vida em outro lugar. Quanto mais fortes as relações, maior a capacidade de gerar outras riquezas na cultura. A gente vê isso muito forte nos japoneses, árabes e judeus. Eles se saem bem melhores porque confiam uns nos outros.”

Interligando essa constatação, o neuroeconomista norte-americano, Paul Zak, demonstra em suas pesquisas que países com taxas mais altas de confiança entre as pessoas são também aqueles mais prósperos. E identificou a oxitocina como molécula responsável pelas relações de confiança na sociedade e na economia, bem como em comportamentos como a empatia.

A percepção dessa realidade colaborativa e compartilhada depende, antes de mais nada, de um trabalho interno para sair do medo e caminhar em confiança. Sem confiança em si próprio, não se confia em nada e em ninguém.

Somos seres complexos e os caminhos são muito variados. Por isso mesmo, a escolha das ferramentas para esse trabalho de autoconhecimento deve ser feita em conformidade com aquilo que faça mais sentido para cada pessoa.

Um caminho possível é a prática de mindfulness divulgada pelo médico americano Jon Kabat-Zinn. Ele diz que a confiança é uma das 09 atitudes que integram a meditação pela percepção atenta não-julgadora no momento presente: “Confiamos que a respiração entra, confiamos que a respiração sai, confiamos que os ouvidos podem realmente ouvir, confiamos que os olhos podem realmente ver, confiamos que os órgãos vão tomar conta do metabolismo e da biologia de estar vivo, então há uma sabedoria no corpo que pode nos lembrar que nós mesmos somos confiáveis”.

Integrando essa sabedoria, o maestro Charles Hazlewood criou a primeira orquestra nacional de deficientes na Inglaterra. E declara: “onde há confiança, há música – por extensão, vida”.

Tirar o foco das carências e reconhecer as potências também gera confiança. Para o neurobiólogo Humberto Maturana, essa atitude pode começar na infância, com uma educação amorosaque vê a criança, que a escuta, que a acolhe com respeito” e, que, portanto “traz consigo à criança, a confiança em si mesmo e o respeito por si mesmo.

Rachel Botsman utiliza o poder da tecnologia para construir confiança entre estranhos. Ela acredita que a reputação será um medidor de nível de confiança pessoal, e se tornará uma moeda mais poderosa do que o crédito no século XXI. E enfatiza: “novas redes de confiança e o capital de reputação que geram vão reinventar a forma com que pensamos sobre riqueza, mercados, poder e identidade pessoal, de maneiras que ainda nem conseguimos imaginar”.

A mudança de padrão passa pela confiança de que a colaboração e o compartilhamento trazem abundância. O economista Oswaldo Oliveira diz ter sido treinado para acreditar na escassez, mas percebeu que a realidade não é essa.

Voltando à questão inicial, demonstra-se que o medo está na contramão da vida. Abriu-se uma fenda  para se perceber que a confiança é a base para a construção de um futuro abundante para todos!