Realidade da imaginação

deniselagrotta concepção de projetos, design de experiências

“Um raciocínio lógico leva você de A a B. A imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser – Albert Einstein

Antes de se tornar um físico famoso, Albert Einstein trabalhou como um simples funcionário num escritório de patentes na Suíça. Mas lá ele teve um sonho sobre uma corrida lado a lado a um raio de luz. E a partir disso, ele pôde criar uma revolução que mudaria a história do mundo.

Einstein podia ver o que ninguém via. Juntou elementos do Universo que outros nunca poderiam imaginar que fosse possível. É por isso que ele dizia que A imaginação é poderosa. A imaginação é tudo. É a prévia das próximas atrações da vida. A imaginação é mais importante que o conhecimento“.

Embora não tão famoso quanto Einstein, o inventor e cientista Nikola Tesla imaginava suas criações com tanta realidade, que dizia que quase poderia tocá-las. Seus primeiros trabalhos foram pioneiros na moderna engenharia electrotécnica, e muitas das suas descobertas foram importantes para abrir o caminho ao futuro.

Essa capacidade de visualizar mentalmente o que não está acessível aos olhos ou a outros sentidos – imaginação – vem sendo objeto de estudos pela neurociência.

Um estudo de pesquisadores da Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, sugere que a imaginação é controlada por uma ampla rede neural, e não por uma área específica do cérebro.

O pesquisador Vilayanur S. Ramachandran, diretor do Centro de Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, descobriu que são acionadas as mesmas células do cérebro tanto no caso de executarmos uma ação, quanto na hipótese de vermos alguém fazer essa mesma ação. Mas esses “neurônios-espelho” não são ativados apenas pelas coisas que vemos. O efeito também ocorre quando simplesmente imaginamos executar essa ação.

No final dos anos 90, o neurocientista inglês Stephen Kosslyn demonstrou que a imaginação usa as mesmas partes do cérebro que recebem informações dos sentidos.
 Ocorre que, desde os anos 70, foi descoberto que os sentidos dependem de experiência para se firmarem no cérebro.

Se a imaginação depende dos sentidos, e os sentidos de experiência, então a imaginação depende da experiência.
 Quanto mais ricas em variedade forem nossas experiências sensoriais, mais elementos teremos para combinar de maneiras inusitadas e criativas.

Para Steven Pinker, psicólogo canadense considerado um dos três mais influentes pensadores do mundo pela revista Prospect (2013), a imaginação é a capacidade humana de combinar memórias.

É por meio da imaginação, diz Pinker, que podemos ter criatividade para gerar cenários novos. Sem ela, certamente não poderíamos criar as misteriosas portas em praças de diversas capitais européias que se conectam com outras cidades.

A importância da imaginação também pode ser vista por meio do projeto Skycycle que um time de arquitetos britânicos quer tirar do papel.

Donald Winnicott, médico e psicanalista inglês, é considerado o “maior defensor da imaginação como forma de desenvolvimento humano”. Ele estabeleceu a teoria que vinculava criatividade à saúde e criou uma técnica denominada “Jogo do Rabisco”, que mostrou ao executivo Sergio Chaia uma nova forma de ver o mundo.

Bertrand Russel enfatiza que “é somente por meio da imaginação que os homens podem ter consciência do que o mundo poderia ser; sem ela, ‘progresso’ se tornaria mecânico e trivial”. É por isso que, além de ser o motor da criatividade, a imaginação nos possibilita desenvolver a empatia necessária para percebermos as situações sob uma ótica diferente.

Estamos vivendo na Era da Imaginação, nos alerta a futurista Rita J. KingPortanto, se quisermos criar novos cenários para o futuro, precisamos levar a imaginação a sério.